Cansado de bancar o 'salvador', técnico diz que ficou mais seletivo, fala do momento ruim vivido por Lucas e admite que time precisa melhorar
(Foto: Marcelo Prado / Globoesporte.com)
Aos 62 anos, esse paulista de Ribeirão Preto ficou os últimos 14 meses em casa. Sem grandes propostas, trocou o estresse da profissão pela tranquilidade de assistir a um jogo de futebol no conforto do sofá. Teve convites, mas recusou todos, sempre buscando iniciar um trabalho que pudesse lhe alavancar novamente a carreira. E ele chegou agora.
Leão reassumiu o São Paulo na mesma situação de 2004. Pega um time desacreditado, que está fora da zona da Libertadores e tem que, em pouco mais de um mês, dar uma virada de 180 graus, colocar o time na principal competição das Américas em 2012 e ainda, quem sabe, buscar um título em 2011, seja ele o Campeonato Brasileiro ou a Copa Sul-Americana. A chance foi dada. Leão sabe que, se tiver êxito, voltará a ser requisitado. Em caso de fracasso, talvez tenha de antecipar o plano de se aposentar daqui a três anos.
Esbanjando vontade, ele iniciou seu trabalho no Morumbi. Quem observa Leão, acha que não mudou em nada. As frases de efeito seguem fazendo parte do seu vocabulário. Respostas rápidas e pensamento definido também o acompanham a cada coletiva. Mas Leão está mais light. Hoje, diz que se arrepende de alguns erros do passado e que sabe que sua performance precisa render frutos para que o torcedor “mal-acostumado a títulos” possa voltar a sorrir.
Após comandar o treino do São Paulo no Paraguai, ele conversou com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM. Contou como está preparado para a nova função, falou sobre o passado, a expectativa para o futuro e avisou: ainda tem muita lenha para queimar. Desde que seja em uma casa organizada e que possa lhe render novos títulos.
Veja a entrevista abaixo:
GLOBOESPORTE.COM - Ser sempre chamado em situações emergenciais é bom ou ruim? Você gosta de ser chamado de “bombeiro”, Leão?Emerson Leão - Quando você se torna um referencial para decidir alguma coisa na parte de baixo da tabela, é claro que preocupa, porque às vezes você não consegue o seu objetivo e ainda não briga por títulos. Quando você é chamado como no caso de agora, não na outra ponta da tabela, mas com possibilidade de chegar lá, é para fazer o trabalho e ganhar título. Sem dúvida, é muito mais animador.
Você encara esse trabalho no São Paulo como um recomeço?Não porque foi uma opção minha ficar parado. Tive alguns convites nesse período, mas prometi a mim mesmo que vou sofrer menos e por isso não aceitei. É mais ou menos como você falou na primeira pergunta. Agora é diferente, um convite do São Paulo você não pode recusar nunca em nenhuma circunstância. O padrão é alto por aqui.
Ser chamado de "solução emergencial" pelo presidente Juvenal Juvêncio é algo que lhe incomoda?
Pelo contrário, só mostra que ele precisava desesperadamente desse tipo de pessoa.
O rótulo de linha dura, disciplinador, vai de encontro ao que o São Paulo precisa nesse momento?
Eu trabalho há 47 anos no esporte e sou fruto do futebol, aprendi muito com vários treinadores, procurei pegar o melhor de cada um deles. A melhor coisa é não ser linha dura no futebol. Porque, quando chega esse momento, é porque algo não está certo. E aí você tem que tomar atitudes. Eu só não tenho medo de toma-las. O mais importante é ser tranquilo, ter um grupo de trabalho que responde ao seu trabalho e aí você não precisa abusar da sua autoridade. O grupo do São Paulo é de muita qualidade e isso ninguém discute. Mas que eles precisam mostrar isso, é uma realidade.
Nesses 47 anos de profissão, você conquistou títulos, disputou Copa do Mundo como jogador. Depois, virou treinador, foi campeão novamente, perdeu disputas importantes, apanhou em campo e sentiu o prazer e a decepção de treinar a Seleção Brasileira. Como após tanto tempo você consegue ver prazer na profissão, já que está pensando em esticar sua carreira por mais três anos?Simples. As alegrias e as emoções na carreira são muito maiores e isso te faz continuar. É claro que tive decepções, mas acho que mais em episódios covardes, que não foram feitos individualmente e sim em grupos. Acho que ainda consigo ajudar a dignificar a classe de treinador.
É mais difícil trabalhar com jogador que tem deficiência técnica, tática ou de comportamento?De comportamento. Porque se o vício for antigo, dificilmente você vai conseguir reparar. Mas não percebi isso no grupo do São Paulo.
O torcedor do São Paulo não aceita mais resultados negativos"
Emerson Leão
Após sete anos longe, como você vê o momento do clube?Vejo um São Paulo que prosperou muito, que adquiriu um status invejável e que tem hoje uma torcida que não aceita mais resultados negativos. Por isso, tem sempre de estar se tornando múltiplo, se modificando em busca dos melhores jogadores. O torcedor do São Paulo ficou “bem acostumado” a títulos e por isso, tenho de manter o padrão.

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