Contra o Bolívar, camisa 1 destrona um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, que disputou 73 partidas na competição entre 1963 e 1977
Ídolo tricolor, Rogério escreveu mais um capítulo em sua longa trajetória como jogador. Ele tomou o trono que por 36 anos pertenceu a Haílton Corrêa de Arruda, o “Manguita Fenômeno”, um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, que disputou 73 partidas na competição entre 1963 e 1977, segundo o somatório das estatísticas passadas por Botafogo, Nacional-URU e Internacional, antigos clubes do lendário atleta.
– É bacana alcançar este número na competição mais importante do continente, mostrando longevidade. Para mim é especial poder igualar ou ultrapassar pessoas que tiveram grandes feitos e que foram grandes ídolos ou grandes atletas na posição que jogaram – disse Rogério Ceni.
Sobre a marca histórica atingida pelo goleiro do São Paulo, Manga foi taxativo.
– O Rogério merece. Na minha opinião, é o melhor goleiro Brasil no momento e tem todo o meu respeito – afirmou, com um carregado sotaque espanhol, o ex-goleiro, que fixou residência em balneário Salinas, no Equador, onde é tratado como mito.
– É uma competição diferente de tudo que a gente está acostumado a ver. É o objeto de desejo de muitos e muitos clubes. Ela dá, por exemplo, uma oportunidade única de você enfrentar os campeões de outros continentes. É um torneio de muita “guerra”, batalha e luta, onde você tem que se adaptar ao conceito do futebol sul-americano se quiser vencer. São jogos mais duros, mais viris, mas difíceis... E esse é o prazer que há em disputar essa competição – analisou Ceni.
Com o contrato renovado com o São Paulo até o dia 31 de dezembro de 2013, Rogério Ceni voltou a mostrar a mesma personalidade que incorporou ao clube paulista a tal ponto que, com o passar dos anos, ambos se tornaram inseparáveis. E assim, o goleiro são-paulino ainda pôde acrescentar mais um item ao seu vitorioso currículo. E de novo, na Libertadores.
Desta vez, nas mesmas circunstâncias do lendário Manga, outro “vovô-goleiro” que, mesmo com a idade avançada, brilhou dentro das quatro linhas ao defender grandes esquadrões do futebol mundial.
– Eu agradeço de coração os elogios do Manga. Acho que a experiência é fundamental. Ele, se eu não me engano, jogou até os 42 ou 44 anos. Foi um goleiro excepcional. Muito acima da média. Fez história em grandes clubes do futebol brasileiro e jogou uma Copa do Mundo (1966). Meu pai contava histórias fantásticas sobre o Manga. Os dedos tortos... Ele pegava a bola com uma mão só... Meu pai o adorava. Até hoje lembro especialmente de um jogo: Operário-MS x São Paulo, semifinal do Campeonato Brasileiro de 1977, quando ele já estava em fim de carreira. O Manga foi um grande goleiro – afirmou Rogério Ceni, lembrando as histórias que seu pai, Eurides Ceni, fanático torcedor do Internacional, contava sobre o lendário goleiro, importante figura no bicampeonato brasileiro do Colorado na década de 70.
– A idade nunca me pesou. Sempre tive qualidade, segurança, tranquilidade e confiança para seguir em frente e desempenhar meu papel. Quando entrava em campo, meu objetivo era dar alegria a torcida do time que eu defendia, fazendo o melhor em campo - comentou Manga, o goleiro da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1966.
Manga iniciou a carreira no Sport, de onde rumou para Botafogo, clube que defendeu por quase dez anos. Depois, atuou pelo Nacional-URU, onde foi tetracampeão uruguaio (1969, 1970, 1971 e 1972), da Libertadores e do Mundial de Clubes de 1971. Em 1974, retornou ao Brasil para jogar pelo Internacional, bicampeão brasileiro (em 1975 e 1976). Em seguida, ainda jogou por Operário-MS, Coritiba e Grêmio antes de encerrar a carreira, aos 45 anos, em 1982, no Barcelona de Guayaquil-EQU.
Imune à dor, Manga dispensava as luvas para voar e catar a “esfera” de couro. As mãos, com quase todos os dedos quebrados na disputa de bolas impossíveis, faziam defesas arrojadas – marca registrada do ex-goleiro, que jogou nove edições da Libertadores entre 1963 e 1977. Nesse período, foram cinco jogos pelo Botafogo, 52 pelo Nacional-URU e 16 pelo Internacional.
– Esse foi o grande momento da minha carreira. O Botafogo era a base da seleção brasileira da época e contava com Garrincha, Zagallo, Amarildo etc. Depois, em Montevidéu, joguei pelo Nacional, que também era a base da seleção local. Mais tarde, quando retornei ao Brasil, fui para o Internacional e pude atuar ao lado de grandes figuras como Falcão e Figueroa. Foi uma época muito feliz.
– Qualquer esquadão que tenha um bom arqueiro, já entra em campo com uma boa vantagem. E o São Paulo sempre teve o seu. O Rogério sempre foi um grande goleiro. Torço para que ele continue mostrando seu bom futebol. Se ele tem confiança e apoio da torcida, que o ama, não deve parar agora – dica daquele que embaixo dos três paus foi um gênio.

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